Posted by joaobarbosa | Filed under EPT, Torneios ao vivo
Terminou agora o Solverde Main Event onde acabei por ficar em 9º lugar. Fiquei satisfeito com a minha prestação, penso que estive ao meu melhor nível e acabei por conseguir o meu primeiro ITM e final table, quer no circuito Solverde quer no Casino de Espinho, que tem um significado especial por ser o mais perto de casa e onde eu já passei mais tempo a jogar cash games e torneios live.
Em relação ao torneio, foi uma óptima experiencia, o field estava muito forte com quase todos os bons jogadores portugueses a participar. Em termos de estrutura foi óptima no primeiro dia e início do segundo, mas depois surgiram saltos de blind (face à estrutura EPT) em quase todos os níveis; na minha opinião começamos a jogar um EPT e acabamos a jogar um Solverde.
Quando ao meu torneio em si, o primeiro dia correu bastante bem com um duelo bastante aceso entre mim e o Pedro Poças, que deu origem às mãos mais interessantes do dia; acabei com cerca de 76k numa média de 50k. No segundo dia com os atropelos de blinds a surgirem, desapareceu o espaço de manobra e acabei por ter que confiar na sorte em duas mãos (66 vs QQ e A6 vs JJ) para me manter em jogo; a boa fortuna compensou a ausência de grandes jogos e passei dentro da média (390k) para o dia 3. No último dia acabou o mais pequeno vestígio de EPT e foi um Solverde com blinds enormíssimas, média a rondar as 20 bb e todas as decisões a serem tomadas preflop. Apesar disso eu sinto que me adapto bem a esse tipo de jogo, impus bastante pressão para ganhar fichas, cheguei a ter cerca de 1M, mas uma mão infeliz com o Paulo Nunes (que acabou por vencer o torneio) deixou-me debilitado e condenou-me a jogar short e a ter que tentar dobrar em showdown o que infelizmente não aconteceu.
Neste post vou começar pelo fim e falar apenas da última mão do torneio, mas mais tarde farei a retrospectiva de mais algumas mãos importantes.
Mão final:


BB (500k, blinds 20.000/40.000/4.000)
Utg raise 90k, eu all-in 500k, ele call AJo. E eu sou eliminado.
Esta mão é bastante marginal, e mesmo entre bons jogadores de torneios com quem falei não gerou consenso. Por um lado estou contra raise UTG, que teoricamente é bastante forte e devo ter pouca fold equity com apenas 12 bb. Por outro lado descobri argumentos suficientes a favor do all-in:
- O UTG era o chip leader e estava a abrir relativamente light.
- A jogar live, e contra um jogador loose que pode estar a abrir mãos como 22, ou JTs, existe mais fold equity do que o que se possa pensar, mesmo com a minha stack.
- Já investi a BB, o que significa que se ganhar vou para as 26 bb, se foldar a bb e a sb, a seguir mesmo que dobre é apenas para as 22 bb.
- Estamos a jogar FR, e se puder investir a stack a cerca de 40% é de aproveitar, porque estando tão short vou acabar em breve a ter que fazer all-in com any 2 e a ter que gamblar em média a 25-30%.
Em relação a este último assunto, e como já tenho discutido com vários jogadores especialistas em torneios, acho que há muito a dizer acerca da relação entre a equity pura de fichas e o valor da nossa stack no torneio. Na minha opinião, eu concordo até certo ponto com as teorias mais aceites de tournament value (apoiadas pelo ICM), em que basicamente o valor das fichas diminui quanto maior é a nossa stack.
Por exemplo, começamos com 30k fichas e 300 bb deep; se tivermos oportunidade de gamblar para toda a stack num 50-50 devemos aproveitar? Não! E a razão é que 60k fichas não valem o dobro de 30k, em termos de valor do torneio, de probabilidade de ficar itm, de probabilidade de vencer… todas essas sobem mas para menos que o dobro.
Por outro lado se tivermos cerca de 10 bb e tivermos oportunidade de jogar pra dobrar, devemos aproveitar a 50-50? Sim! Porque as blinds já são devastadoras para nós, cada blind que passa o nosso torneio desce de valor (logo o expect value de fold não é zero, como se assume, mas negativo); e nem precisam de passar as blinds… 10 bb no BTN valem muito mais que 10 bb UTG, cada mão que passa o nosso torneio piora… e se recusarmos um 50-50 vamos acabar dali a pouco a tentar dobrar as nossas restantes 6 ou 7 bb a 30%.
Sem querer estar a dizer valores precisos, porque não os sei, eu penso que com 300 bb só quereria gamblar a cerca de 70-30, mas com 10 bb tudo o que seja 40-60 ou melhor não deixaria escapar.
Em relação ao EPT Vilamoura, como sabem cheguei ao dia 4 e fiquei em 19º. Este EPT foi interessantíssimo, para quem não se apercebeu, os EPTS este ano sofreram uma alteração de estrutura de 10k fichas para 30k, foi apenas o 3º que joguei nesta estrutura (Montecarlo e Londres).
Foi óptimo ver uma enorme participação portuguesa e uma sensação única ser tão apoiado por tanta gente à medida que avançava para as fases adiantadas do torneio. Penso que joguei ao meu melhor e não estaria a exagerar se dissesse que estes dois torneios foram os que joguei melhor; apesar dos resultados que já obtive sinto que estou a beneficiar de uma maior experiência em torneios live do que tinha o ano passado. Tenho bastantes mãos interessantes para relatar que ficarão para os próximos posts.
O meu próximo torneio será o PCA nas Bahamas. Até lá farei uma pequena pausa fora das mesas para repor energia e aproveitarei para me dedicar mais ao blog.
Próximos posts: algumas mãos do solverde ME, muitas mãos do EPT Vilamoura.
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December 20th, 2009
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